
José trabalha há dois anos vendendo café no Centro. Em dias de chuva, o jeito é se molhar, mesmo levando um guarda-chuva junto com as garrafas térmicas. “Não dá vencimento, não”, comenta, afirmando não perder a clientela por causa da chuva, até porque todo mundo quer um cafezinho quente em dias assim.
Agora que Fortaleza realmente entrou na quadra chuvosa tão anunciada, os cidadãos se preparam para a aventura cotidiana de sair de casa e encarar o trânsito, os famosos buracos e, no caso dos pedestres, os carros que passam com desdém pelas poças d’água, banhando quem usa as calçadas.
Eudes Sales vende fruta nas proximidades da Cidade da Criança e já está acostumado com os meses em que a chuva é companhia constante, por isso, toma cuidado ao andar com o carrinho pelas ruas, para não cair em buracos, e precisa ficar tirando a água que se acumula no lugar em que as frutas ficam dispostas. Trabalho dobrado para o vendedor e vendas pela metade, segundo os próprios cálculos.
As numerosas bicicletas que rodam o Centro fornecendo lanches já se adaptam para os dias em que “o céu parece desabar”, como definiu um dos trabalhadores. Guarda-sol faz as vezes de guarda-chuva e é preso ao veículo para proteger pelo menos uma parte do corpo.
Quem não pode ter medo da chuva são os mototaxistas. Bonfim Vieira e Adão da Silva se protegiam embaixo de uma marquise na rua Pedro Pereira, esperando os poucos passantes em dias chuvosos, afinal não é todo mundo que está preparado com roupa emborrachada. Mas o principal para a dupla de mototaxistas é andar com atenção redobrada, diminuindo a velocidade. “Se cair em buraco, o prejuízo é grande”, avalia Adão, há 15 anos levando passageiros na garupa da moto.
Mas tem duas categorias de trabalhadores que estão nas ruas, qualquer que seja a cor do céu, para tentar amenizar os problemas de todos os outros cidadãos. São os agentes de trânsito e os funcionários da limpeza urbana. Os primeiros são chamados para atender sinais apagados, desvios de obras, acidentes. Já os funcionários da limpeza saem pela cidade empurrando seus carrinhos de lixo, protegidos por capas ou sacos na cabeça. “A gente vai consertar a sujeira dos outros, que jogam lixo nas ruas e vai tudo pros bueiros”, comentou Hipólito.
Quando
ENTENDA A NOTÍCIAA quadra chuvosa teve início este mês. Intercalando o sol característico com chuvas intensas, o cidadão fortalezense já adapta o cotidiano aos transtornos que a água causa numa cidade despreparada.
Fonte: JORNAL O POVO
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