
Desde “A favorita”, fala-se muito em pesquisas que revelariam que “o público rejeita a maldade nas novelas”. Será que rejeita mesmo? Afinal, também é fato que o espectador ama os vilões. Isso se expressa nas manifestações de ódio contra os atores nas ruas e na repercussão de cada ato perverso da ficção nas rodas de conversa.
Se um pesquisador fizer uma pergunta de ordem moral, do tipo “você gosta do personagem mau-caráter?”, certamente ouvirá como resposta uma negativa — e igualmente moralista. Só que o espectador é esperto, sabe que teledramaturgia não é vida real e costuma preferir os personagens ativos aos bananas. Se eles forem perversos, se encantará por eles — com ódio ardoroso. Daí o sucesso de Odete Roitman, de Maria de Fátima $(“Vale tudo”), de Flora (“A favorita”) etc.
Vilões têm muito vigor nas histórias de Gilberto Braga, Silvio de Abreu e João Emanuel Carneiro. É estilo. Outros autores pegam caminhos diferentes. Glória Perez usa abismos culturais para separar o casal central. Benedito Ruy Barbosa empenha tudo num heroi forte. Carlos Lombardi também investe nas impossibilidades românticas. E por aí vai.
É claro que a chance de redenção — mesmo que ela não venha a acontecer no último capítulo — é o principal capital de um vilão. Sem isso não há torcida possível. No mais, é uma questão de habilidade em construir bem uma história e escapar das fórmulas que as pesquisas eventualmente buscam. E, como todo mundo sabe, habilidade não falta a este time acima citado.
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